Tenho 43 anos de idade, mas quando vim morar no bairro em que resido, tinha 6 anos apenas. Ou seja, faz 37 anos que resido aqui. Entre uma saída ou outra, passei uns 10 anos fora, então, sobram 27 anos, e posso dizer que conheço tudo aqui como a palma de minha mão.
Faz algum tempo, tenho recebido diversos e-mails sobre os males que as sacolinhas plásticas causam ao meio ambiente. Não sou um defensor das sacolinhas, nem estou recebendo dinheiro algum para defendê-las, mas creio que todos aqueles que execram as tais sacolas plásticas, deveriam olhar ao redor de suas próprias casas, e verificar o que acontece em seu entorno. Será que são apenas as “sacolinhas” as grandes vilãs? Ou será que existe um mal maior, que urge aos nossos olhos, mas que insistimos em não enxergar, porque a televisão nos fala outra coisa?
Tem algo que muito me irrita. Pessoas que insistem em pensar pela cabeça dos outros. É muito fácil pegar uma opinião formada, altamente divulgada, e sair por aí, falando nisso. Tudo muito bonito, defensores de algo muito debatido. Mas, pare e pense. Será que a realidade é essa? Será que não existe uma verdade maior? Algo que acontece, mas que por um acômodo que os meios de comunicação nos passam, não é falado?
Ora, vejam! Chegamos a um denominador comum. Tão comum, que nos sentimos incomodados de falar. Têm muito lixo ao redor de nossas casas, mas a televisão fala das sacolinhas, então, vamos "massacrar" as sacolinhas. É MAIS FÁCIL PEGAR UMA OPINIÃO FORMADA, DO QUE TER QUE PENSAR POR CONTA PRÓPRIA.
Pare de ser acomodado! Aliás, pare de concordar com tudo o que te falam! Pense um pouco, e olhe o que acontece à sua volta. A televisão e a internet nem sempre falam a verdade. Ahhhhhh!!!! Desculpe. Pensar faz doer sua cabeça? Então, fazer o que, não é? Continue assim, um escravo de opiniões de almanaque!
Desculpe. Não queria te agredir. Apenas dar um “tranco”, para ver se você acorda. Continue vendo TV, ela é boa, distrai. Mas, te peço, saia e olhe ao redor. Tem uma realidade inteira para você ver, e muita coisa que a televisão não mostra, pois não dá audiência. E, se depois de você ver tudo o que acontece, se ainda concordar com a televisão, volte aqui e me "massacre", igual ao que você tem feito com as "sacolinhas". Mas tenha a certeza de ter o embasamento necessário para sustentar aquilo que ira dizer.
Eu e meu sobrinho Rafael, um jovem de 19 anos de idade, e que assiste muita televisão (ele achava que as sacolinhas eram as maiores vilãs, claro), saímos para verificar o bairro em que moramos. Nossa meta inicial era percorrer todo o bairro, e fotografar os desmandos e absurdos que a população comete em relação ao lixo, jogando-o nas ruas, mas, PASME, caminhamos apenas por 3 (TRÊS) ruas. Isso mesmo. E foi o suficiente para que meu sobrinho mudasse de opinião.
Abaixo, o resultado de nosso trabalho. Um detalhe. Moramos no SUL, ao lado de Curitiba, que é considerada a “CAPITAL ECOLÓGICA” do Brasil.
A sequência de fotos acima mostra o descaso tanto da prefeitura quanto da população. O muro branco que aparece à esquerda pertence a um Motel, empresa que poderia, pelo porte que tem, manter limpo o seu "arredor". O saco branco que aparece em destaque nas fotos é lixo, jogado numa esquina de uma rua QUASE toda manilhada. Cabe ressaltar que o terreno ao lado onde o saco de lixo foi largado, está à venda por R$ 120.000,00. Quem tem uma propriedade que custa esse valor, não poderia sanear seus arredores, ou cortar o mato alto que que toma o terreno? Evitaria dengue, ratos, e outras pragas. Note, também, a quantidade de lixo no entorno do Motel.
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As fotos acima fazem parte do mesmo "monte" de lixo, largado numa esquina muito próxima de minha casa. Na primeira foto dessa sequência, fiz questão de mostrar meu braço e minha mão, para que você compare a extensão do "monte" de lixo. Medido na trena, deu mais de 2 metros de comprimento. E na segunda foto, algo bem comum a nós, em nossas casas, mas que JAMAIS deveria fazer parte da paisagem. Um VASO SANITÁRIO.
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E agora? Lâmpadas fluorescentes, pedaços de algo que parece o resto de um eletrodoméstico e uma boca de lobo quase entupida. Isso tudo deveria ser jogado NAS RUAS? Não era mais fácil embalar em SACOLINHAS PLÁSTICAS, e acondicionar no LIXO correto?
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Algo, nessa foto acima, pode ser reciclado? Tem alguma SACOLINHA PLÁSTICA nesse meio?
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Na sequência acima, dois exemplos, ou melhor, dois contraste ao que foi mostrado até agora.
Na primeira foto, a continuação de meu bairro, numa rua onde levam a sério a limpeza. Repare que não existe lixo jogado na rua. A "caçamba" para recolhimento de entulho até pode estar atrapalhando a calçada, mas pelo menos, está recolhendo devidamente o entulho. E pela imagem, não se vê lixo algum jogado ao chão.
A segunda foto mostra uma das ruas da "FAVELA" que existe próxima de minha casa. CADÊ o lixo nas ruas? Cadê o desmando urbano? O povo que mora na favela é o que mais polui? E quanto mais caminhamos na direção da parte realmente pobre do bairro, menos lixo encontramos.
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Cabe aqui uma pergunta. Você viu, em qualquer uma das fotos acima, alguma sacolinha plástica? São as sacolinhas que estão poluindo tanto assim?
Creio que o verdadeiro vilão, seja o relaxo como tratamos nossas cercanias. Estamos acomodados, e pensando pela cabeça dos outros. SACOLINHAS PLÁSTICAS? Vai continuar com isso? Olhe as imagens acima. É lixo, independente do que seja, e o povo está cada vez mais abusado. Reclama das sacolinhas, mas joga seus detritos em qualquer canto.
Honestamente? Falar das sacolinhas é fácil. Porém, enxergar o que se passa ao seu redor, aos seus próprio pés, parece muito mais difícil. Se enterre no lixo, e quando precisar de uma "sacolinha plástica" para recolher seu próprio vômito, lembre que ela está "PROIBIDA".
Triste, não é?
Marcio JR