09/08/11

Apartes Inconvenientes!


Convenhamos que em uma conversa entre duas pessoas primordial é o diálogo!

Em um monólogo não há caracterização de uma troca de idéias, haja vista somente um dos pólos expor o seu ponto de vista, restando à outra parte somente a concordância, havendo ou não aceitação do assunto que foi abordado.

É óbvio quem em se tratando de uma conversa com as características que vão de encontro ao citado no segundo tipo acima exposto, há de se convir que a parte ouvinte já deva estar devidamente conscientizada que eventuais apartes não são bem-vindos e até não são permitidos para que haja uma perfeita seqüência no entendimento do assunto explanado pelo expositor.
Também se torna óbvio que em um diálogo, sempre são bem-vindos os apartes desde que devidamente enquadrados no assunto que está sendo abordado.

Difícil de fazer-se conciliação é quando se está em pleno desenvolvimento de uma idéia e há uma interrupção que destoa totalmente do assunto que está sendo ventilado e, infelizmente não é muito incomum haja vista o desenvolvimento da inconveniência que está se alastrando em matéria da educação em nosso país!

Dia desses fiquei horrorizado quando assistia a uma palestra interessantíssima proferida por um doutor em Direito de altíssima reputação e que contava horas como atividade complementar curricular para os discentes de uma Universidade do ABC. Lá pelas tantas, uma aluna do quarto ano de Direito da Universidade levantou a mão e lhe foi dada a devida atenção pelo palestrante para que ela formulasse alguma pergunta. A aluna, já balzaquiana, indagou acerca da lista de presença que teria de assinar para que não se esquecessem de computar as horas que ela estava ‘ganhando’ por estar presente na palestra! Houve um mal estar geral dentre os presentes que lá estavam interessados pelo assunto abordado e não apenas pelas horas que computariam como atividade complementar. O expositor, como só poderia ser esperado de alguém de tanto gabarito, alegou que não tinha conhecimento dessa lista e que a ‘jovem’ poderia procurar alguém de direito que poderia fornecer-lhe este esclarecimento. Houve conotação claríssima, pelo menos assim eu achei e creio que também ficou patente para o Mestre que lá estava fazendo sua exposição, que o assunto tão interessante por ele estava abordado não estava em absoluto interessando àquela aluna e quiçá a outros por lá também presentes.          

Outra forma de aparte que, pelo menos na parte que ‘me toca’ me deixa possesso é aquela efetuada quando estou iniciando a construção de uma explanação e sou interrompido numa intervenção completamente equivocada em relação ao complemento que daria na seqüencia da minha idéia!

Há pessoas que, não contentes em efetuar uma interrupção ‘inconveniente’ vão repetindo interrupções ao longo da explanação fazendo com que a construção da idéia vá ficando enfadonha e via de regra, não causando o impacto que se queria atingir ao final da narrativa. Como exemplo, vale a seguinte construção de uma narrativa:

Dialogante 1: Outro dia eu estava no portão de minha casa e fui abordado pelo meu vizinho...
Dialogante 2: Que lhe pediu dinheiro emprestado...
Dialogante 1: ... Que veio me contar acerca do ocorrido na esquina no último final de semana...
Dialogante 2: Ah! O ‘cara’ veio fofocar...
Dialogante 1: ... Quando um nosso outro vizinho foi assaltado...
Dialogante 2: ... E ele conhecia quem foi o autor do assalto...
Dialogante 1: ... E a policia chegou a tempo de impedir...
Dialogante 2: ... Aí ele foi assaltado pelos policiais...
Dialogante 1: ... Que os meliantes levassem o seu carro!
Dialogante 2: Esses 'caras' ganham prá isso! Não fizeram mais do que a sua obrigação!

Eu achei as intervenções do Dialogante 2 totalmente inoportunas e totalmente fora do contexto. Não sei se estou sendo radical e ranzinza demais!      

                                                                                                                                                                                            HICS
                                                                                                        

29/07/11

MULHER MULTITAREFA



É sexta feira! Depois de uma semana tumultuada e cansativa, enfim o descanso. Estou ansiosa para chegar a minha casa, relaxar e curtir um pouco mais meu filho - feito possível somente nos finais de semana já que durante a semana a maratona é diária e intensa. Assim, como todas as mulheres que possuem uma família, assumimos o papel de mãe, dona de casa e mulher. 
           
Dividir o tempo entre o trabalho e os filhos é uma tarefa árdua para nós, mães. Sentimo-nos culpadas por passar tanto tempo fora da vida deles.   Por isso ficamos ansiosas para o dia acabar e ir para casa, principalmente nas sextas-feiras, quando vamos passar mais tempo com eles, dando um pouco mais de assistência, acreditando sempre que eles precisam de nós.  Afinal somos solicitadas por eles o tempo todo. Impressionante a quantidade de vezes eles nos chamam durante o dia, principalmente quando estamos descansando. Acredito ser uma atitude comum em quase todos os filhos. 

Cuidar da casa e trabalhar é algo que nos deixa sobrecarregadas, mesmo com alguém nos auxiliando nas tarefas mais pesadas, nós somos sempre responsáveis por deixar a casa em ordem.  Os pequenos detalhes, como trocar as roupas de cama, guardar as roupas no armário, colocar os filhos para dormir... ficam  por nossa conta. Até mesmo procurar uma camisa que o marido pretende usar e não achou. Interessante a dificuldade masculina de encontrar algo nas gavetas. Podemos dar todas coordenadas (primeira gaveta, do lado esquerdo, no fundo da gaveta...) de onde se encontra tal coisa, que eles não encontram.  Só se foram eles que guardaram. Segundo uma amiga, os homens não possuem os “gens do achei”.

Temos ainda que abastecer a dispensa, procurando nunca deixar faltar nada. Senão iremos várias vezes ao supermercado durante a semana. Não sei por que nossas ajudantes sempre nos esperam chegar, para então dar o aviso: “- Acabou aquilo que você queria, seja lá o que for!”. Mas vamos dar um desconto – afinal, elas também são mulheres, trabalhadoras e donas de casa... duas  vezes!

 Depois de tudo, temos que arrumar um tempo para cuidar da gente, ler um livro, responder alguns e-mails, assistir um filme com a família ou até mesmo freqüentar uma academia. Só então podemos descansar (de preferência, dormir!). Interessante, normalmente seremos as últimas a deitar e as primeiras a levantar no dia seguinte. Ainda bem que amanhã é sábado!

                                                                                        NICE BACCHINI


 Esse texto, de minha autoria, foi publicado no Jornal Regional de Notícias/Laranjeiras/ PR

23/06/11

Quando o inverno canta jazz

♪ ao som de: Norah Jones_One Flight Down ♪


Basta as primeiras lufadas de um ventinho mais gelado soprar em nossas orelhas e arrepiar nossos pêlos assim, em qualquer dia, que a vida adquire um outro ritmo.

Mas, quando se sabe, se sente, se avista que o friozinho de cada ano já se anuncia, quer seja ele de Minuano ou não e se achega de mansinho na divisa dos meses... seis pra lá e seis pra cá, se misturando ainda em ares de outono ou do inverno recém chegado, aííííí siiimmm a percepção aguça e a vida adquire mesmo não somente outro ritmo, mas outra cor, calor e as histórias começam a saltar dos baús das bocas.

Fica outro balanço no ar no balançar dos dias e das noites e o embalo se dá principalmente no lado de dentro da gente - Acontece muito mais além que do lado esquerdo do peito, dando uma nova cadência ao tempo.
Tudo quer estar mais perto, quer ficar mais junto e o compartilhar, além do sol, ganha mais força, acredito que em todos.
Os detalhes não passam tão desapercebidos como em outras estações e o céu azul azulzinho, ainda que o sol queime as peles e as cucas e se deite cedo... tempos assim, de friozinho, nos traz a sensação das horas passarem mais devagar, tornando tudo ao nosso redor mais sonolento.

Há uma paz morna abrigada nos ventos de tempos assim em que o inverno parece cantar Jazz.

Os animais hibernam dentro de seus próprios casulos ou nas calçadas de cimento cru, as plantas crescem mais devagar e as nuvens aparentam ser migalhas de pão.
As mãos, procuram abrigo nos bolsos das calças, nas luvas de tricô, por entre os braços de quem se caminha ao lado em ruas estreitas da cidade, praças, alamedas e banquinhos ao sol da manhã e na hora do almoço... E por mais que as luvas, cobertas, meias e casacos deixem os guarda-roupas, ainda com poeira de sonhos passados do inverno que já se foi e tragam um cheiro de mofo camuflado em perfumes doces, em tempos assim, nossos dias tem um jeito todo especial de se revelarem e se mostram ser chaleiras e bules borbulhando na chama do fogão que, se for de lenha, deixa na gente o melhor sabor que o inverno tem.

É, a vida acontece lânguida e se espreguiça em qualquer som de acorde, antes mesmo de abrir os olhos.

Lá fora, os galhos nus e as folhas que ainda restam nas árvores, coreografam um balé mais singelo e balançam em compassos aparentemente ensaiados, uma espontaneidade mais que sutil que dança pra lá e pra cá se tornando imperceptível a um olhar mais grosseiro e apressado.
Os cachecóis esvoaçam nos pescoços das donzelas as suas cores, ora neutras e discretas, ora arco-íris vivos e berrantes pra espantar mesmo o gelo na íris de qualquer olhar que passar por perto.

Em tempos assim, os sorrisos emergem quentes dos abraços e os abraços, duram mais e dividem mais calor. É de mansinho que o dia corre!
A nostalgia senta à mesa, atraída pelo perfume do bolo recém assado com o chocolate quente e a xícara de chá... Da sopinha mais à noite, as torradas e bolachas salpicadas são “crotons” de saudades que despertam e nos aquecem o corpo e as lembranças.

A madrugada pinta o céu negro com sardinhas estelares e reluzentes, saudando os que madrugam para trabalhar e ainda sonolentos, se encolhem nos bancos de ônibus para se acolher de volta nos sonhos interrompidos pelo despertador.
Não se quer mesmo acordar, não se quer levantar, muito menos saborear os sorvetes de frutas nem se refrescar nas águas cloradas das piscinas. Não se quer o ar condicionado nem o ventilador como companhia. Mas sabe-se que em tempos assim, um livro faz milagres pra driblar a solidão.
E se quer somente embalar mais um punhado de sonhos por debaixo da coberta que aquece muito mais que os nossos pés.
Se quer somente dar e receber calor, na mesma intensidade em que se quer esquecer que em alguns dias de tempos assim, a dor que se tem se torna maior.
Só se quer reunir os amigos mais queridos em torno de uma fogueira com boas conversas e um som de violão.

Em tempos assim, quando os ventos que açoitam brandamente e coram as bochechas das peles mais branquinhas, os netos ouvem histórias e os pais saem para comprar agasalhos rosas e azuis aos seus filhos que mal deram ainda os seus primeiros passos.
Se coloca mais lenha no fogão, na lareira, na fogueira e a batata, começa a assar.

Os edredons cobrem as camas onde o calor da pele dos corpos que dormem juntos já queimaram o colchão no calor de uma outra estação.

Mas agora, se entrelaçam os pés e os braços se abraçam sobre um peito que também bate mais calmo e ritmado.
Os casais dormem de “conchinha” e o cinema se faz no escuro do quarto com um dvd ou na sala do apartamento.

Em tempos assim, pare pra ouvir: as pipocas estão a mil pulando nas panelas, como criança que faz “poli chinelo” pra se esquentar na hora.

O doce preferido é feito com a receita de anos guardada no livro de receita da sua mãe e que foi passada de geração a geração.
Os banhos são mais demorados, acompanhados ou não.
Os vinhos são abertos e adoçam o paladar de um momento mais íntimo e mais terno.
O amor que se faz, se faz de mansinho com maior cumplicidade... sem deixar de ser intenso.
Os carinhos e os gestos mais simples duram mais, mesmo depois que se findam e se faz planos em qualquer lugar, como numa cadeira de balanço sob o sol com um livro na mão.

Amantes são mais amigos e amigos, se amam melhor.

Em tempos assim, se caminha e se observa melhor os passos dados.
Se reflete mais no que se quer e se reconsidera coisas que já se quis... enfim se descobre que paciência e tolerância são coisas completamente diferentes, mas que se confundem e nos confundem.
Os espaços se estreitam e as geadas por entre as plantações de sonhos os tornam mais maduros, invés de queimá-los.

Em tempos assim, esperança ainda floresce, amor ainda é a melhor fonte de calor, seja ele de qualquer natureza, sem qualquer nomenclatura e... caso o seu agasalho, a sua luva ou coberta não forem o suficiente, abraço é ainda o melhor cobertor pra se manter aquecido, em tempos assim, em que o frio que se espera fazer, se faça somente do peito pra fora.

Imagem: Lúcio André Vérniz
SAMARA BASSI

17/06/11

ADORAMOS SAPATOS

 Um dia desses, estava em um shopping aguardando uma amiga nós tínhamos um almoço combinado. Sentada, eu observava os movimentos, adoro fazer isso. Na minha frente havia uma loja de sapatos. Como todas as mulheres, dei uma olhada na vitrine, e foi quando um movimento me chamou atenção. Uma linda menina com os olhos brilhando, toda feliz com seus sapatinhos novos, mostrando para todos que passavam por ela. Não dava um passo sem olhar para eles. Achei graça daquilo! É um comportamento normal no sexo feminino. Ficamos assim, diante de um par de sapatos novos. Encantadas, seduzidas e apaixonadas por eles. Por que será que a maioria das mulheres adora sapatos?
        

Não podemos ver uma vitrine bem montada que lá estamos. Admiradas! Já viu algum homem em frente a uma vitrine de sapatos? Só se for para comprar! Mas nós mulheres não resistimos uma vitrine de sapatos bem montada. Isso acontece em todas as idades. Quantas e quantas vezes encontramos em shopping meninas admirando-os, geralmente de cor rosa! E os meninos? Eles só param para observar os sapatos se tiver algum carrinho ou brinquedo de brinde.
        

Os homens procuram o conforto quando compram sapatos, já nós, as mulheres, procuramos a beleza. São os mais belos que nos atraem e seduzem e são justamente esses que mais nos machucam. E nós, tolas, acreditamos que, um dia, ficarão macios e carinhosos com os nossos pés. Como eles nos enganam! Não tem jeito. Eles são predestinados a isso. Nossos pés sempre avisam quando encontramos esse tipo. Passam a observar! Eles se contorcem, queimam e pedem pelo amor de Deus para não comprarmos. Mas, quando somos seduzidas, ouvimos alguma coisa? Claro que não! Insistimos e compramos, esperando a oportunidade de usá-los. Sempre caio nessa. No meu armário tenho vários desses sedutores. Eu tenho um par que toda vez que abro o armário para procurar o que calçar, lá está ele, me chamando, fazendo “psiu”. Não resisto e acabo calçando esse dito cujo. Ainda me lembro quando fui seduzida pela primeira vez por ele. Parecia um deus grego, todo magnífico na vitrine. Lindo! Não resisti! Fui experimentá-lo. Pra quê! Ficou lindo no meu pé. Ficou tão bonito que não entendi os sinais que meus pés deram. Eles quase choraram. De cara, ele implicou com aquele meu calinho de estimação! Mas eu não liguei, comprei assim mesmo, acreditando no tal milagre. Milagres que os vendedores de loja de sapatos vendem para nós mulheres – “É couro, com o tempo vai amaciar”, dizem eles. E, seduzidas acreditamos.
        

Eu não via hora de usá-lo. Foi quando chegou o grande dia. Estava ansiosa. Meus pés coitados! Suavam! Pediam clemência! Gritavam socorro! Encolheram-se para entrar nos sapatos. E o calinho de estimação? Esse pediu desesperadamente um band-aid, pois sabia que ia sobrar para ele. Não dei ouvidos aos meus pés, apenas coloquei o band-aid no calinho por precaução! Como tenho raiva dele! Acho que é por isso que estou sempre o torturando-o. Mas quem mandou ser teimoso e não sair do lugar. Estou sempre tirando, mas sempre volta!
         

Fui para a festa, muito satisfeita com os sapatos. De vez em quando dava uma olhadinha para os pés. Atitude parecida com aquela da menina da loja. Esperando os elogios da “mulherada”, já que os homens, muitos deles não prestam atenção em nossos sapatos. Depois de tantos elogios, lá pelo meio da noite, começou. Meus pés começaram a queimar. O calinho coitado! Nem o band-aid resolveu sua situação! Ardia mais que limão nos olhos. Não conseguia arrumar uma posição para os meus pés. Comecei a tirar e colocar o sapato. A situação só piorava, pois os pés incharam e parecia que o sapato tinha diminuído de tamanho. Fiquei inquieta. Tudo incomodava. Meu sorriso, coitadinho, já estava saindo amarelo, meio sem graça. Não conseguia entender nenhuma piada da noite. Em uma festa sempre tem alguém que gosta de contar as piadas. Então comecei a ficar mal humorada. Minha cabeça latejava! Parecia que eu ouvia os meus pés dizendo e repetindo, várias vezes: “Eu não te disse! Eu não te disse!”. Tudo girava ao meu redor. Chamei meu marido para ir embora. E ele foi, sem vontade, meio chateado. Questionando porque nós mulheres insistimos em usar esse tipo de sapato! Eu também não sei! Eu também queria ficar mais um pouco na festa, afinal tinha encontrado amigos que não via ha muito tempo. E era a chance de usar meus sapatos! Uma dica para as mulheres, quando for estrear um par de sapatos novos em uma festa, faça quando for sozinha, com seu próprio meio de locomoção. Isso impedirá de estragar a festa dos outros e sentirá mais a vontade para ir embora. Cheguei em casa naquela noite, prometendo nunca mais calçá-lo. E um mês depois lá estava eu na mesma situação com o mesmo sapato de novo. Fui seduzida por ele! E por outros sapatos também!

         Por que a maioria das mulheres adora sapatos? Principalmente os mais belos. Não sei, mas acho que as mulheres, em geral, escolhem alguns sapatos como escolhem alguns homens: eles as seduzem, machucam, mas elas nunca conseguem deixá-los. A única diferença é que os homens, em geral, pisam nelas. Já os sapatos são pisados por elas, com postura e elegância. Será que é por isso que adoramos sapatos?

                                                   
  NICE BACCHINI
                                             

13/06/11

Síndrome da Nota

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'Nos antigamente' o aluno seria considerado apto a 'pular' para a série seguinte do curso que estava frequentando quando atingisse TODO o programa que era ministrado pela escola e quando também cumprisse todas as suas obrigações de discente, no que concerne ao aproveitamento e disciplina.
O aluno poderia ser o NOTA CEM que normalmente, assim como aquele que eventualmente fosse um NOTA CINQUENTA, também era submetido aos exames regulares que englobavam exame oral e as avaliações de comportamento e aptidões físicas.

Lembro-me que muitos colegas de classe que eram alunos NOTA CEM sentiam-se perfeitamente adaptados ao fato de mesmo estando devidamente preparados em todas as disciplinas, comparecerem com os demais colegas para a realização dos exames finais. E, estando devidamente preparados, sentiam-se na obrigação de irem bem nas provas, haja vista seus domínios sobre os diversos assuntos que lhes foram repassados.

Fui de uma época que era necessário submeter-se a um exame de admissão para ingressar em escolas públicas e havia uma espécie de cursinho que era frequentado por aqueles que concluíram o curso primário, que lhes dava subsídios para acompanhar as disciplinas que teriam de enfrentar em seu curso ginasial.

Como ingressei em meu curso primário com um 'pouquinho de atraso', haja vista o ter iniciado já com 9 anos de idade (o normal era que a criança iniciasse seus estudos no antigo curso primário com 7 anos...), ao terminá-lo fui 'de imediato' e sem passar pelo cursinho de admissão, prestar o exame que, em sendo aprovado, me daria direito de ingressar no curso ginasial.
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Na média, como sempre foi a tônica de minha vida, não sem alguma surpresa, consegui uma vaga para cursar o ginásio industrial em uma escola estadual denominada IE Dr. Júlio de Mesquita.
Senti grandes dificuldades nas aulas que assisti inicialmente, pois sem haver frequentado o cursinho de admissão, não raro ouvia de alguns professores a expressão: “isso eu não vou repetir, pois vocês já estudaram na admissão... Então, eu literalmente 'rodava' nas avaliações que nos eram impingidas.

Confesso que se isso ocorresse nos dias de hoje eu estaria enquadrado nos casos de 'bullyng', pois sofria muito com a minha fraca performance, e não raras vezes fiz o caminho de volta à minha casa com lágrimas que teimavam em rolar pelas minhas faces.

Nós éramos submetidos a avaliações constantes e prestávamos exames obrigatórios ao final de cada semestre letivo. Recordo-me que ao final do primeiro semestre, num seu procedimento costumeiro, nossa professora de matemática chamava pelo nome do aluno, aguardava que ele se levantasse e dizia em alto e bom som a nota que ele havia conseguido em seu exame. O aluno sentava-se novamente e era chamado um próximo, repetindo-se o mesmo procedimento.
A professora Alice chamou pelo meu nome, levantei-me e ela impessoalmente vociferou minha nota:
-- ZERO!

Enquanto alguns risinhos abafados de alguns colegas de classe ribombavam pela minha cabeça, nem precisei sentar-me novamente, pois caí sentado sobre a cadeira.
Porém, apesar de minha 'tenra' idade, já conseguia discernir que isso fazia parte de um processo e que eu teria de 'dar a volta por cima' para reverter a situação.

Hoje, lembro-me com certo orgulho, que ao final do ano, ao receber minha caderneta de notas, havia conseguido aprovação em todas as disciplinas e considerado apto para prosseguir meus estudos na segunda série ginasial.
A bem da verdade havia conseguido a 'promoção' com quase todas as médias ‘limite’ (que na época era 5...), no entanto, foi para mim uma autêntica vitória haja vista meu início totalmente claudicante e que deixou muito a desejar.

E, por essas e outras que hoje, aos 6.3 ao retornar aos bancos escolares está difícil 'engolir' que jovens usem de todos os artifícios para escaparem de exames que lhe são aplicados ao final dos semestres (aqueles que cursam da forma modular...), como se esses fossem altamente vergonhosos ou 'quase' impossíveis de se obter uma nota para aprovação.

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E pensar que uma promoção nos dias atuais oferece uma gama de facilidade bem maior do que a oferecida em épocas anteriores...
O sistema atual oferece possibilidade de um aluno ser promovido independentemente de realização de um exame se obtiver como rendimento escolar uma média 7. No caso da Universidade que frequento (não devendo diferir muito das outras...), há uma avaliação preliminar que depende única e exclusivamente do MESTRE titular da disciplina, significando dizer que ele pode medir a capacitação dos alunos através de uma avaliação particular, de atribuição de trabalhos, de aplicação de provas, etc.

Se a somatória dos conceitos obtidos na avaliação preliminar e da avaliação oficial resultar em 14 ou mais, o aluno estará automaticamente dispensado de realizar o exame final!
Só há uma penalização maior se o aluno obtiver em sua somatória um valor menor do que 6, equivalendo a uma média de aproveitamento menor do que 3 (obtida pela simples média aritmética do valor obtido pela soma. Por exemplo, se a soma resultar 5, a média de aproveitamento seria 2,5...). Nesse caso, o aluno estaria automaticamente em dependência na disciplina.
Como percebemos, soaria bem mais simples do que épocas remotas...

Já tive por várias ocasiões, oportunidade de conversar com alunos e Mestres, enfocando o fato de que deveriam encarar a necessidade da realização de um exame como algo que faz parte da vida escolar, no entanto, já está enraizado o estigma de que há de se obter a aprovação logo após a realização da prova oficial, valendo tudo na guerra pela obtenção dos pontos necessários para atingir-se o 7. Vale colas, vale denegrir-se a qualidade de ensino dos Mestres, vale desculpas mil para o não cumprimento das obrigações estudantis, vale a exacerbada falta de educação, de moral e de ética tão comum nos padrões gerais de conduta nos dias atuais.


HICS