FERNANDA - Blog ALEATORIAMENTE
Ela é carioca, e hoje sente falta do mar.
Para a estréia da coluna Fala, Blogueiro!!, o Arena escolheu alguém que, mesmo com pouca idade, tem opinião formada e muita personalidade.
A vida, nem sempre fácil, ensinou e ela aprendeu. Mas não conversamos sobre a vida dela, e sim como ela vê a blogosfera, como age dentro dela e como se prevenir de perigos que esse meio tão comum e requisitado pode trazer.
Para conhecer um pouco mais sobre a Fernanda, faça uma visita aos blogs que ela mantém. Com certeza, será um passeio inesquecível.
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Aleatoriamente, busca nas vivências um júbilo para sua ânsia de viver.
Esquisito? Nem tanto. Basta passear uns cinco minutos pelos dois blogs desta blogueira, para se dar conta da gana de vida que ela tem. Muito nova ainda, pouco mais do que uma adolescente, ela já é quase veterana na blogosfera (iniciou escrevendo em agosto de 2005), e é dona de um estilo muito próprio, onde o que mais impressiona são os relatos sentidos, muitas vezes, na própria pele.
Delicada e singela a primeira vista, mostra personalidade e desprendimento em suas postagens. Extremamente talentosa e observadora, publica em dois estilos. No blog ALEATORIAMENTE, explora crônicas de comportamento e poemas, de sua autoria ou citações, e no blog VIVÊNCIAS, ela aposta em reflexões e poesias curtas, e com enorme qualidade.
Num universo de milhões de blogs, o que faz a diferença nestes dois, mantidos pela Fernanda, são justamente a criatividade e o talento, aliados a personalidade desta blogueira maiúscula, que prima pelo respeito e pela forma carinhosa de ser.
E a Fernanda? Como ela enxerga a blogosfera?
Arena das Crônicas - Para você, o que é “SER BLOGUEIRO (A)”?
Fernanda - Há pessoas que são blogueiras para divulgar suas idéias, para compartilhar conhecimento e outras para protestar sobre as polêmicas. Algumas para expor seus trabalhos e outras apenas para mostrar à família e aos amigos. No comum a todos estes estilos, o que o blogueiro é mesmo, é um artista, em maior ou menor grau.
Fernanda - Buscava escrever, buscava passar tudo que sentia em relação ao que sempre achei certo e verdadeiro. Eu vivi muitas coisas, que muitos nem sequer sonharam viver. Eu buscava entendimento, queria saber por que as pessoas que tinham tudo, não amavam esse tudo.
E a cada vez que tinha certeza que o mundo precisava desse amor, eu aprendia a amar da melhor forma, para poder compartilhar com estas pessoas, e ensinar o que aprendia.
AC - O tempo passou. Conseguiu o que buscava?
Fernanda - Sim e não.
Mas falei do amor assim mesmo. Alguns o sentiram em toda essência, outros ficaram alheios, outros acharam dispensável, outros confundiram as coisas. Mas o importante, é que o aprendizado das pessoas acontece sempre, mesmo sem que elas queiram colocar em prática.
AC - Muitos quase trocam o mundo material pelo mundo virtual. Se jogam de corpo e alma em algo que, para eles, passa a valer como uma existência paralela, a qual, se não cuidarem, vira obsessão. O mundo dos blogs vicia?
Fernanda - Não vejo como vício algo que pode ser feito de maneira saudável. Gosto de vir até meu blog, escrever e ponto. Há pessoas que sentem uma necessidade tão grande de atenção, que buscam avidamente obter comentários em seus blogs, e quando isso não acontece na medida que lhes agrada, elas simplesmente se sentem frustradas, e buscam mais e mais fontes de atenção, tornando isso um ciclo vicioso.
Fernanda - De tudo que vivi, ou estou vivendo.
Mas costumo dizer sempre que o que escorre neles em sabedoria, vem de Deus, porque sinto assim.
AC - As comunidades, no mundo virtual, aparecem a todo instante. Existe sinceridade nas amizades dentro da blogosfera?
Fernanda - Existe. Você é uma dessas amizades e que me sinto bem e segura. Mas creio que na maioria das vezes devemos ser prudentes.
AC - Vemos todos os dias pessoas reclamando de ataques sofridos, vindos de usuários mal intencionados, seja em blogs ou em qualquer outro canto da web. Existem “perigos” dentro da blogosfera?
Fernanda - Sim. Existem! Até pelo fato de você não conhecer a pessoa e não saber seus reais motivos de estar ali. Mas creio também que tudo é questão de prudência mesmo. Pois existem inúmeras pessoas que pelo senso de impunidade real na internet, pela maneira fácil de agir no anonimato, e pela sagacidade, acabam por causar danos aos outros.
Outro perigo bastante expressivo, é o dos blogueiros passarem a viver quase que exclusivamente no mundo virtual.
AC - Como se defender desses perigos?
Fernanda - Mantendo certa reserva, e a prudência como base.
AC - Algumas pessoas talentosas acabam “soterradas” no meio de tantos blogs. Esses talentos poderiam ser aproveitados pelo mercado editorial? Alguém em especial?
Fernanda - Sim, creio que esses talentos deveriam mesmo ter uma chance, se ele for elucidativo, ajudar pessoas a se encontrar, ou dar a elas amor, esse essencial que os corações precisam, mas não sabe como explorar em si. Não há um em especial, mas muitos. O mercado editorial tem uma verdadeira mina de talentos na blogosfera, basta garimpar.
AC - Os blogs tomam muito tempo para sua montagem e manutenção. Ficar algum tempo sem fazer postagens ou comentários em outros blogs pode significar a “morte” do blog. Como buscar esse tempo?
Fernanda - Primeiro, acredito que dependendo do designer sim, pois o blog tem que ser agradável em todos os sentidos. Isso é o ponto mais importante para alguém que chegue ao seu blog, possa se interessar a conhecê-lo melhor. Mas acho que tem que haver simplicidade, harmonia e organização. Assim se faz muito com pouco tempo.
Segundo, a morte do blog pode ocorrer apenas se você abandonar o seu próprio blog. A cada momento, chegam novos visitantes, e muitos se interessam e viram freqüentadores habituais. O problema é quando acontece de algum “viciado na blogosfera” achar que caso você não comente no blog dele por uns 2 ou 3 dias, é porque você não merece a amizade do mesmo, e revida com ofensas, tanto por e-mail quanto nos comentários.
As pessoas têm que se manter com o pé no chão, e não viverem como se o mundo virtual pudesse absorver o tempo que temos que continuar dando aos nossos afazeres, e às outras pessoas que já fazem parte da nossa vida fora do mundo virtual. Acho que tem que saber dosar. Inclusive o amigo virtual pode vir a ser amigo real, mesmo não o conhecendo fisicamente, e isso mantém o seu blog vivo, nessa troca bonita e saudável, sem interesses de satisfazer o vício de ninguém.
Fernanda - Existem as duas coisas, infelizmente. É isso que, com tristeza, observo.
AC - E o assédio, como lidar com ele? Já levou alguma cantada?
Fernanda - Já aconteceu, mas as coisas têm a importância que damos a elas.
AC - Também existem aqueles que só querem bagunçar, falar besteira ou fazer maldades. Como tratá-los?
Fernanda - O seu blog, como sendo um espaço sob sua responsabilidade, tem que ser isento de manifestações baixas. No meu caso, atenuei estes problemas não permitindo comentários anônimos, e ainda assim, somente são publicados após moderação. Eventualmente o que os vândalos da blogosfera querem é te ferir, e isso eu resolvo simplesmente com a minha indiferença.
AC - Sempre temos nossos blogs preferidos. Cite, pelo menos, dois dos seus.
Fernanda - Não tenho preferências, gosto de todos que eu visito.
AC - Quem é você?
Fernanda - Sou Fernanda, a menina com uma flor.
Sou mesmo assim, intensa, estilista de palavras, moldo cada uma delas com carinho, queria fazer da escrita minha poesia. Ela é comum para alguns, mas para mim é tudo.
Meus sonhos nunca incluíram castelos. Também nunca desejei ser princesa. Nasci plebéia com muito orgulho. Não saberia ser fina, nem me vestir de etiquetas. Sou simples como as coisas simples da vida.
AC - Decepções, estresse, desinteresse ou outros fatores fazem alguns blogueiros desistirem de seus blogs. O que te levaria a excluir seu blog?
Fernanda - O mesmo motivo que me levaria a não tê-lo criado. O amor me fez criar o blog, e ele irá sustentá-lo.
AC - Alguns blogueiros levam a sorte de cair nas graças do mercado editorial. Se fosse convidada a publicar em meio físico (papel), você toparia, mesmo que para isso precisasse abandonar seu blog?
Fernanda - Aceitaria talvez, mas não me submeteria a esta condição. Escrevo por amor, que recebi de graça de Deus, e de graça sempre escreverei. O blog me serve como meio para expor o amor que experimento todos os dias da minha vida. E para isso não preciso de meio físico já que tenho a blogosfera. Se alguma entidade se interessar em publicar meus textos, nem me procure se quiser impor tal condição.
AC - Mesmo blogueiros, habitamos um mundo real. Um sonho...
Fernanda - Que o mundo tenha amor e paz.
AC - Uma realidade...
Fernanda - Vivo com amor e em paz, pois sei que a realidade é o que fazemos, e o mundo começa onde estou.
AC - Um medo...
Fernanda - Guerras.
AC - Se sente realizada com seu blog?
Fernanda - Sim.
AC - Quanto ao design, algo te irrita nos blogs?
Fernanda - Cada um tem seu estilo.
AC - E qual design te agrada?
Fernanda - Não há preferências.
Fernanda - Sim, aqueles ousados demais.
AC - Se fosse “dona” da web, o que mudaria nos blogs ou nos blogueiros?
Fernanda - O que caracteriza a web, é exatamente a pluralidade de manifestações. Assim como as pessoas se exprimem na rua, na TV, e na arte em geral, nos jornais, assim se manifestam na web. Só que com uma diferença: A web permite total anonimato para quem não quiser ser identificado. Basta criar contas com dados irreais. Isso eu mudaria.

















